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O que Erwin Wurm nos ensina (CCBB)

  • Iamn França
  • 19 de jan. de 2018
  • 2 min de leitura

A exposição “O corpo é a casa” exibiu trabalhos visuais do artista austríaco Erwin Wurm, no Centro Cultural do Banco do Brasil na cidade do Rio de Janeiro no período de 11 de outubro de 2017 a 03 de janeiro de 2018. “Erwim Wurm é um artista que faz as pessoas gostarem de arte” declara Marcello Dantas, em primeira instância. O curador faz questão de apontar a fácil compreensão primária das obras, já que humoristicamente o trabalho lida com elementos habituais do cotidiano, como o corpo, a casa, o carro, pepinos, entre outros. Transpostos, reconfigurados, os objetos comuns poderiam ser mecanismos que denunciam a normalidade aparente da sociedade de consumo.


Dessa forma, o artista aproxima-se da questão do consumismo com temperamento cítrico. Cede aos seus objetos artísticos um repertório referencial amplo que atravessa a música, o cinema, a filosofia, a arquitetura e o mundo arte como um todo. Pode-se dizer que, recentemente, as mídias sociais contribuíram para o sucesso de Wurm. É inegável que a acessibilidade intelectual do conteúdo da mostra coincide com um período de avanços tecnológicos em torno do espetáculo fotográfico. A série “One Minute Sculptures” (esculturas de um minuto), iniciada no fim dos anos 1980, tenta funcionar hoje amplificando o significado dos “ready mades”, uma vez tratado por Marcel Duchamp. Porém, a interatividade compulsória das obras na mostra faz, aparentemente, o público se perder em um exercício de reprodução de imagens narcísico. Desse modo, o assunto do corpo como objeto tridimensional escultórico, interesse primeiro de Wurm, tende à dissolução.


Por aludir às implicações mútuas entre o campo mercadológico e museológico, tão comentado desde, pelo menos, as investigações da escultura moderna, o projeto e a construção do trabalho de Wurm vem ao encontro da expansão dos requisitos formais da arte contemporânea. Mas, em contrapartida, a estratégia do pensamento teórico e político do artista exposto no CCBB parece explanar sobre um “popismo” já cansado, inócuo. Afinal, o tédio niilista cultuado por um corpo privilegiado pode deixar a desejar. Especialmente ao navegar um território irônico duvidoso, que tangencia a gordofobia e o machismo, como fica evidente ao traçar uma relação explícita entre corpos gordos e o consumo excessivo ou se autorretratar como pepinos eretos de ferro. Junto a trabalhos que reforçam estereótipos polêmicos, Erwin Wurm tem o cuidado perspicaz de também representar corpos magricelos e flertar com o homoerotismo. Surge a pergunta se esses fatos atingem a credibilidade artística de Wurm. Seria possível desvelar as questões estruturais da escultura de outras maneiras?


 
 
 

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